VIJ-DF REALIZA OFICINA SOBRE AFETO E INTERAÇÃO SOCIAL PARA A REDE DE PROTEÇÃO INFANTOJUVENIL

A Vara da Infância e da Juventude do DF (VIJ-DF), por meio da Rede Solidária Anjos do Amanhã, realizou nesta terça-feira, 4/9, em parceria com o Instituto Tocar e o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), a “Oficina de Sensibilização – Afeto e Interação Social”. A ação aconteceu na Sala Múltiplo Uso da Promotoria de Justiça de Defesa da Infância e da Juventude, na Asa Norte, e contou com a participação de cuidadores, técnicos e voluntários de entidades de acolhimento, conselheiros tutelares, representantes da ONG Aconchego, servidores da Secretaria de Políticas para Crianças, Adolescentes e Juventude do DF (Secriança) que atuam no sistema socioeducativo, da Secretaria do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos do DF (Sedestmidh), bem como do Ministério Público, da Defensoria Pública e do Judiciário (TJDFT).

A oficina integra o projeto “Tocar Essencial Integral” e foi conduzida pela terapeuta Regina Almeida, acadêmica em psicologia e uma das fundadoras e voluntárias do Instituto Tocar. Ela falou sobre as teorias do afeto e realizou dinâmicas de sensibilização a respeito do tema, a começar pelo abraço afetuoso e acolhedor entre os presentes. As atividades práticas buscaram mostrar aos profissionais como trabalhar a afetividade com as crianças e a importância do papel de cada um na rede de proteção infantojuvenil. Os participantes também compartilharam em grupos memórias da sua infância, ao responderem a perguntas individuais. A oficina contou ainda com momentos de brincadeiras coletivas, de relaxamento individual por meio da respiração, além de dinâmica para reflexão acerca do poder do pensamento e da ação de cada um no trabalho em rede. Ao final, cada participante verbalizou uma palavra ou uma frase a respeito do que estava sentindo pelo que vivenciou na oficina de sensibilização.

Para a servidora do TJDFT Naisa Santos, que atua como assistente social na Comissão Distrital Judiciária de Adoção, a oficina despertou o sentimento de compaixão e o olhar compassivo em relação ao outro. “Foi uma oportunidade de a gente se olhar e cuidar um pouco do que recebeu na infância e de dar ao outro um olhar mais carinhoso, além de pensar sobre quem somos, e isso acaba refletindo na nossa relação com o outro no trabalho, tanto com as crianças que atendemos quanto com os colegas, na nossa família e em todas as nossas relações interpessoais”, avaliou. No início da oficina, todos os participantes se apresentaram e alguns compartilharam expectativas, opiniões e experiências a respeito da temática envolvendo o afeto e as interações sociais.

Boas-vindas
Parceiros e apoiadores do projeto do Instituto Tocar deram as boas-vindas aos participantes. A promotora de justiça Rosana Carvalho, da Promotoria de Justiça de Defesa da Infância e da Juventude, agradeceu a todos que se dispuseram a participar da oficina. “O nosso dia a dia é muito pesado, e muitas vezes não temos tempo de olhar para nosso lado humano. Convido todos para ter um momento de humanidade”, disse. Os presentes à oficina também receberam as boas-vindas da diretora-geral do Instituto Tocar, Roberta Ribeiro, que aproveitou para agradecer as parcerias e os apoios ao projeto e falar um pouco da história e do trabalho do Instituto.

Na visão do supervisor da Rede Solidária Anjos do Amanhã, Gelson Leite, a oficina de sensibilização reinaugurou, de alguma maneira, a importância do afeto instrumentalizado na rede de acolhimento infantojuvenil. Segundo ele, a Rede Solidária elegeu, como um dos seus eixos prioritários de ação, o “Cuidando de Quem Cuida”, voltado aos técnicos e cuidadores sociais das instituições de acolhimento do DF, a fim de instrumentalizá-los para as intervenções cotidianas e a qualidade dos serviços prestados à criança e ao adolescente bem como para as práticas de autocuidado. “E nesse eixo, o nosso parceiro essencial é o Instituto Tocar”, completou.

Entusiasta da ação, Gelson Leite agradeceu o apoio da Promotoria de Justiça da Infância e da Juventude ao projeto Tocar. “O afeto é uma questão para a qual devemos olhar seriamente. O projeto Tocar instrumentaliza o afeto e o torna algo tangível, palpável, em duas dimensões fundamentais: a do autocuidado e a do cuidado com o outro. E quando cuidamos do outro, fortalecemos essa rede de apoio, que é fundamental. O afeto é transformador”, afirmou. De acordo com o supervisor, o projeto ganhou força com a realização da oficina. “E eu me comprometo a ser o guardião da chama do Tocar”, declarou.

A defensora pública Cláudia Galdino parabenizou os organizadores pela iniciativa do evento e falou da necessidade de construção de um ambiente institucional como verdadeiro espaço de proteção e com o estabelecimento de um vínculo humanizado entre as crianças e adolescentes e os profissionais da rede de proteção infantojuvenil. “Entendo que podemos fazer um acolhimento afetivo e humanizado, respeitando todos os direitos de uma vida digna, respeitando as diferenças e acreditando que o outro é um sujeito de direitos”, ponderou a defensora. Para ela, é preciso entender que todos os atores envolvidos no acolhimento ou nos cuidados de alguém devem primar sua atuação no afeto e no amor.

A promotora de justiça da Infância e da Juventude Luisa de Marillac declarou sua alegria em participar de uma capacitação em afeto conjuntamente com outros atores da rede de proteção infantojuvenil. “Proteger crianças e adolescentes é algo que nunca se faz sozinho. Uma criança precisa de uma rede de proteção cujos nós estejam firmes para dar conta de cuidar dela”, ressaltou. A promotora disse ainda que, além de olhar para a criança e o adolescente, é preciso olhar para essa rede. “A transformação vem de um trabalho conjunto, em uma rede na qual todos são igualmente importantes. É fundamental que a gente se reconheça, se conheça e se junte cada vez mais”, destacou.

Sobre o Instituto Tocar
O Instituto Tocar é uma ONG que trabalha especialmente na conscientização da importância da afetividade, do desenvolvimento emocional e da convivência familiar. Desde 2001 atua na implementação e na difusão de terapias do toque, como a técnica de massagem Shantala, terapias em grupo e outros métodos integrativos de assistência à saúde nas comunidades em situação de risco social. O foco do Tocar são as crianças que estão sob medida protetiva de acolhimento no Distrito Federal. O Instituto Tocar se propõe ainda a promover um contexto favorável ao autodesenvolvimento de profissionais e cuidadores, com ênfase na comunicação afetiva e vivências do cuidado integral para fortalecer as interações relacionais.

De acordo com a terapeuta Regina Almeida, o Instituto Tocar foi fundado dentro do princípio da revolução pelo afeto, segundo o qual podemos transformar vidas e apoiar as pessoas em seus processos humanos a partir do acolhimento empático, do olhar compassivo em relação à vida do outro. “Eu costumo dizer que a gente toca o sagrado do outro encontrando a sua história humana”, revelou. Ela explica que existem várias modalidades de toque terapêutico e algumas atuações terapêuticas simples de intervenção utilizadas em projetos e ações sociais para difundir nas comunidades, instituições e famílias que as pessoas podem se habilitar para serem mais afetivas.

Regina conta que, desde o início, o Instituto Tocar trabalha com a rede de acolhimento institucional a proposta de levar apoio emocional às crianças acolhidas. “Levamos uma equipe para desenvolver esse processo de interação com as crianças e os cuidadores”, disse. A partir de 2016, o Tocar começou a desenvolver um projeto voltado para os cuidadores, com a preocupação de cuidar também de quem cuida. “Nessa oficina de hoje, estamos com esse novo projeto, com a intenção de trazer essa sensibilização para dentro da rede de proteção de crianças e adolescentes, instrumentalizando os cuidadores e demais atores dessa rede, a fim de disseminar cada vez mais a importância das interações humanas”, explicou.

Ainda segundo a terapeuta, o trabalho do Instituto Tocar é fundamentado em pesquisas científicas desenvolvidas por psiquiatras e neurocientistas da Universidade de Washington em Saint Louis (EUA) e pelo Instituto de Pesquisa do Toque da Faculdade de Medicina da Universidade de Miami (EUA) que comprovam o valor do toque e sua influência na interação entre o corpo e a mente e no desenvolvimento físico, psíquico, comportamental e emocional do ser humano.

Fonte: www.tjdft.jus.br

 

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